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23/07/2012

Operadoras desrespeitam punição e chips continuam sendo vendidos


Operadoras desrespeitam punição e chips continuam sendo vendidos
Mesmo com a proibição de vendas pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), ainda é possível comprar chips de telefonia móvel das operadoras Claro, em São Paulo - onde está vetada-, e da TIM em Brasília e Rio de Janeiro.

Em São Paulo, o Terra foi às ruas e teve acesso a dois chips da Claro adquiridos em bancas de jornais: um comprado na avenida Luiz Carlos Berrini e outro na rua Flórida, ambos no Brooklin. Porém, a facilidade de compra vista nas bancas não foi encontrada na loja autorizada da operadora - também na rua Flórida -, onde o vendedor afirmou que a Claro estava impedida de comercializar qualquer tipo de nova linha de celular ou de internet 3G.

Os vendedores das bancas de jornal, porém, nada informaram sobre a proibição. Um deles ainda chegou a dizer que o chip iria funcionar. Porém, ao tentar a ativação em um celular desbloqueado, a reportagem constatou que a operadora não enviou a mensagem de texto confirmando a ativação - procedimento informado no manual do chip. Com isso, não é possível realizar ligações com a nova linha da Claro.

Em Brasília também não foi difícil encontrar o chip da TIM à venda. Na primeira banca de revistas procurada pela reportagem foi possível não apenas comprar, como escolher o número de telefone que mais agradasse ao consumidor. Ao tentar o cadastro da linha, em plano pré-pago, a TIM nem chegou a transferir a ligação para um atendente.

Uma gravação avisa a quem tenta cadastrar uma linha nova que não é possível concluir o procedimento. "Por determinação da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), a fim de garantir a melhoria da qualidade do serviço prestado ao consumidor, está suspensa a venda de plano de serviço de telefonia móvel, de voz e dados", diz a mensagem gravada, que encerra o telefonema logo em seguida.

No Rio de Janeiro também é fácil encontrar chips da operadora proibida de comercializar no Estado - a TIM. O Terra parou em cada uma das sete bancas que existem na avenida Rio Branco entre a praça Mauá e a avenida Presidente Vargas, no centro da cidade. Em todas encontrou jornaleiros dispostos a comercializá-los normalmente.

Segundo jornaleiro de banca na esquina da avenida Rio Branco com a rua São Bento, a operadora não mandou nenhum comunicado mandando suspender a venda de seus chips e que tinha tomado ciência da proibição apenas pela imprensa.

"O que eu sei é que a decisão não impede a venda de lotes que já estejam nas bancas. A gente comprou estes chips há mais tempo e não podemos sofrer o prejuízo. Então estamos vendendo normalmente", afirmou o jornaleiro, que não quis se identificar.

Em outra banca de jornais, na esquina da Rio Branco com a rua Visconde de Inhaúma, o jornaleiro contou que já havia inclusive vendido dois chips nesta segunda-feira e garantiu à reportagem que não haveria problema nenhum em homologar um chip novo na TIM.

Em nota, a TIM disse que está cumprindo "integralmente" a determinação da Anatel e que todos os esforços da companhia estão voltados à preparação do plano de melhoria dos serviços que - segundo a operadora - será protocolado hoje e discutido amanhã com a agência reguladora. A operadora afirmou ainda que os pontos de venda estão orientados a não fazer ativação de novos chips. A TIM diz que devido à "alta capilaridade de sua rede de vendas, com mais de 300 mil pontos", é possível algum ponto de venda indireto tenha comercializado os chips sem o conhecimento da empresa.

Procurada pelo Terra, a Claro ainda não se manifestou sobre o assunto.

Mais cedo, a Anatel afirmou que os lojistas que venderem chips das operadoras proibidas de comercialização não podem ser punidos pela agência, pois ela só tem legitimidade para punir terceiros que vendem produtos não habilitados, que não é o caso dos chips de celulares.

Ainda assim, o órgão afirmou que as operadoras são responsáveis pela distribuição e venda dos produtos e terão que pagar multa de R$ 200 mil por dia caso fique comprovada a comercialização mesmo que por terceiros.


Terra

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