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05/10/2012

O último debate e a reafirmação dos conceitos



Pois bem: se é verdade que a primeira impressão é a que fica, a última é a que irrita. Principalmente se for o último debate entre os candidatos a prefeito de João Pessoa, como o que foi realizado ontem pela TV Cabo Branco.
 
É perceptível que, depois de tantos e repetidos debates na tevê e no rádio, quem já assistiu a dois ou mais deles já não agüentava mais os candidatos falando praticamente as mesmas coisas.
 
Foi um debate de propostas, redondinho, porém um tanto quanto morno e que, principalmente, não trouxe surpresa alguma, senão a reafirmação dos conceitos que os candidatos adotaram desde o primeiro dia de campanha.
 
Bom, mas como é possível que pelo menos um eleitor tenha visto o último debate como o único que acompanhou até agora e que esperou por ele para decidir seu voto, vamos a algumas considerações.
 
A primeira delas de caráter geral. Este último debate pode até ajudar a ganhar o perder votos, mas não será em escala suficiente para incluir ou tirar alguém da disputa. Ou seja, de decisivo para o resultado o debate não teve nada.
 
Passemos, então, às específicas.
 
Estela Bezerra (PSB) é de longe a que revela mais preparo entre os dois minutos de resposta e segundos de réplica e tréplica. Defende Ricardo Coutinho com ênfase, o que faz dela candidata certa do eleitor que venera o governador, e fala da gestão com dados, fontes e informações específicas, detalhadas e precisas.
 
È bem preparada e isso nem o mais ferrenho opositor do PSB pode negar. E bate bem. Prova foi ter traduzido em poucas palavras o que acha de Cícero: “O senhor tem mais processos do que projetos”.
 
Mostrou isso ontem. Se isso conta voto, ganhou alguns. Caso contrário, termina a campanha apenas com a imagem de melhor preparada e ponto final, já que a conquista do voto vai além disso. Não fosse assim, os técnicos domariam o mundo no lugar dos políticos.
 
Na oposição, Cícero Lucena é o representante mais preparado. Ex-prefeito de João Pessoa, também fala com conhecimento de causa superior aos dos demais adversários. Mirou as gestões de Agra, Ricardo Coutinho, como quem a representar o papel genuíno de oposição. Mesmo usando terno, traduz uma imagem de “homem sofrido”, um marketing que o afasta da pecha de ficha suja. Quem tem cara de passa fome não pode ser chamado de corrupto. Ou ao menos reduz o impacto da acusação.
 
Luciano Cartaxo (PT) é o Caminho do Meio. Não entra num debate pra competir. È como um jogador que não arrisca muito e nem ganha muito nem perde algo. Fez isso desde o começo. Mesmo quando estava atrás nas pesquisas, quando a lógica sugeria que ele polarizasse com alguém. Cumpre bem o papel de “bom moço”. Ao liderar os números, se sente ainda mais à vontade de ver os outros brigando, enquanto chupa um picolé de manga sem deixar pingar no chão.
 
Ontem, reafirmou o seu principal conceito: o de ser candidato de Luciano Agra. Só faltou o chapéu.
 
Já o ex-governador Zé Maranhão fez um dos piores debates de toda a campanha. Logo ele que vinha se superando nos confrontos anteriores. Só não foi pior do que faltar.
 
Renan Palmeira termina a campanha com a certeza de que tem um futuro político promissor.
 
No mais, os candidatos estão livres dos debates no primeiro turno. Acho que nem eles agüentavam mais.

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