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04/10/2012

RUSSOMANO TORNOU-SE UM CANDIDATO HEMORRÁGICO



As pesquisas de opinião converteram a disputa pela prefeitura de São Paulo num caso digno de estudos acadêmicos. Valendo-se de métodos científicos, os institutos produziram uma constatação desconcertante: o voto do eleitor é leigo.
Saindo da posição de azarão, Celso Russomanno alçara os píncaros da glória. Sua liderança desafiou a lógica por mais de 40 dias. De repente, tornou-se um candidato hemorrágico. Medido pelo Datafolha, despencou dez pontos percentuais em 15 dias.
No levantamento da semana passada, caíra cinco pontos percentuais. Na sondagem divulgada nesta quarta (4), deslizou mais cinco pontos. Feitas as subtrações, ruiu de confortáveis 35% para exasperantes 25%.
No mesmo intervalo de 15 dias, José Serra oscilou dois pontos para cima, batendo em 23%. Fernando Haddad cresceu quatro pontos, amealhando agora 19%. Em movimento tão atípico quanto fora a subida, Russomanno faz o caminho de volta.
Ultrapassara José Serra no Datafolha veiculado na véspera do início da propaganda eleitoral, levada ao ar em 20 de agosto. Tinha, então, 31%, contra 27% atribuídos a Serra. Agora, está tecnicamente empatado com o mesmo Serra, que por sua vez encontra-se estatisticamente emparelhado com Haddad.
A três dias da eleição, a pergunta a ser feita é a seguinte: a queda de Russomanno chegou ao limite? Mantida a homorragia, o ex-azarão que se tornara favorito entraria no bololô em que Serra e Haddad se engalfinham pela vaga no segundo turno.
Para desassossego de tucanos e petistas, um pedaço dos votos que Russomanno perde cai no cesto de Gabriel Chalita, que subiu 8% para 11% em duas semanas. A ascensão de Chalita escora-se em duas percepções difusas.
Numa, um naco do eleitorado dá a entender que enxergou os pés de barro de Russomanno. Noutra, essa mesma fatia do eleitorado indica que quer mudança. Refuga Serra por identificá-lo com a mesmice. Resiste a Haddad por não ver nele a novidade dos sonhos.
Ao atrair parte dos votos que decidiram fugir de Russomanno, Chalita retarda a definição do pelotão da frente. Serra e Haddad, que intensificaram as críticas a Russomanno nos últimos dez dias, devem estar perguntando aos seus botões: por que diabos não fizemos isso antes?

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