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27/07/2012

ZÉ RAMALHO E SUAS LETRAS SIGNIFICATIVAS DO DEMASIADO HUMANO:

ZÉ RAMALHO ( da PARAIBA)
Essa canção AVOHAI que fez surgir Zé Ramalho. O pai do Zé faleceu, afogado num açude do sertão, quando o Zé tinha apenas dois anos. Então Zé Ramalho foi criado por seu Avô, que também passou a ser seu pai.O seu avô e pai que o criou até os 26 anos, faleceu dormindo na varanda de sua casa em uma noite enluarada. Nesta mesma época Zé Ramalho começou a sua carreira, cantando músicas de outros cantores. Até que No meio de uma madrugada, um espírito de luz soltava frases e dizeres ao ouvido de Zé Ramalho…ele assustado, começou a anotar o que ouvia. As palavras vinham rápidas, e Zé anotava tudo chorando muito.
Então nasceu Avôhai:Um velho cruza a soleira
De botas longas de barbas longas de ouro o brilho do seu colar
Na laje fria onde quarava sua camisa e seu alforge se caçador
Oh meu velho e invisivél Avôhai
Oh meu velho e indivisível Avôhai
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ZÉ RAMALHO …
Há muito me ocorreu de analisar a letra das canções de Zé Ramalho. Já era evidente possuir muitos elementos da psicologia junguiana, mas isso ficou bem mais patente na medida em que me detinha nos pormenores …dos versos. Seu simbolismo não se esgota aqui, mas vai além, muito além, como sinto que ocorre quando me ponho a ouvi-la:
==>BEIRA-MAR =
“Eu entendo a noite como um oceano/Que banha de sombras o mundo de sol”
= A noite e o oceano guardam estreitas conexões, sobretudo se limpos dos artefatos tecnológicos: o desconhecido, o medo, a intensidade, a dúvida, a imensidão, a solidão, etc. O mundo de sol é o conhecido, que se vê no dia a dia, familiar, nítido, seguro, povoado… A noite tende a ser mais fria que o dia, mais úmida (o orvalho), e, como um líquido, como um oceano, ela banha de sombras, de escuridão, o mundo conhecido, a consciência, deixando a sonolência, iniciando outra fase da vida. A atividade dá lugar ao repouso e tudo descansa…
DÓi, por dentro das águas há quadros e sonhos
E coisas que sonham o mundo dos vivos
=Neste trecho o autor descreve os elementos encontrados no inconsciente: quadros – cenas, panoramas, representações – e sonhos, estes que são produtos do inconsciente, bastante familiares. O segundo verso desta passagem é bastante curioso: “coisas que sonham o mundo dos vivos”.
Na literatura junguiana pode-se encontrar duas referências a essa situação. Jung (1991b) alude a um sonho com um iogue em posição de lótus que sonha sua vida na terra. “Olhando-o de mais perto, vi que ele tinha o meu rosto; fiquei estupefato e acordei, pensando: ‘Ah! Eis aquele que me medita. Ele sonha e esse sonho sou eu.” Eu sabia que quando ele despertasse eu não existiria mais’” (JUNG, 1991b). Do ponto de vista do indivíduo o ego sonha com o inconsciente. Da perspectiva do Si-mesmo, porém, este é que sonha a vida do indivíduo.
“peixes milagrosos, insetos nocivos
Paisagens abertas, desertos medonhos”
De novo, sugestões de pares de opostos: peixes milagrosos, assim como todos os artigos milagrosos conhecidos, devem produzir curas ou resolver situações problemáticas de forma maravilhosa. Insetos nocivos fazem algo bem diverso. Desertos terríveis e extremamente desagradáveis são como uma prisão para aqueles que se atrevem a atravessá-los, pois correm risco de se perder e de ser mortos, ao contrário de “paisagens abertas”. As portas estão “abertas” quando as situações ocorrem de acordo com as expectativas do indivíduo, pois então existe uma saída, um acesso claro a uma situação benéfica, uma “abertura…
Fatima Pessa, pesquisadora e fã de Zé Ramalho

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