Páginas

16/07/2012

Quem ousará desrespeitar os indecisos e ignorar o inacabado?


É claro que numa campanha todo e qualquer candidato se diz confiante em sua vitória. Tem obrigação de dizê-lo. Mas há algo de diferente nesta disputa em João Pessoa, que vem tornando o processo ainda mais acirrado e estimulante.
 
E não se trata de simples estratégia pra manter a auto-estima ou a confiança da equipe viva. Todos os quatro candidatos mais competitivos na Capital tem a absoluta certeza de que vão sentar na cadeira de prefeito no dia 1º de janeiro do próximo ano.
 
Há uma crença real na cabeça de cada um deles. Basta conversa com cada um deles ou com seus aliados. E não é apenas ginástica de retórica. É confiança explícita. Segurança mesmo, apesar das facilidades ou dificuldades de cada um. Não obstante as diferenças nos números das pesquisas, cada um sabe qual o seu potencial e acredita que ele o fará vencedor.
 
A ciência e a história eleitoral ajudam a fortalecer tal segurança. Todos sabem que campanha se ganha na campanha. As eleições anteriores estão aí pra comprovar o que os fatos sugerem. São inúmeros na Paraíba, no Brasil e no mundo as histórias de campanhas perdidas que acabam vitoriosas e vice-versa.
 
A eleição de Ricardo Coutinho em 2010 é caso local mais recente. Tal qual como a de Dilma Roussef, no mesmo período, que traçou uma escalada rumo à vitória que esmagou o favoritismo de José Serra ao mesmo tempo em que cientistas políticos reformulavam suas análises.
 
Por uma questão muito simples: num mundo povoado por análises, pesquisas, opiniões, reflexões, podenrações e até “chutes”, ninguém consegue antes ou no início da eleição saber como se colocarão os eleitores, especialmente os indecisos, diante das variações de uma campanha.
 
No caso de João Pessoa, não se sabe ao certo como o eleitor vai digerir o “cansaço” da candidatura de Maranhão, a repercussão das “ações” contra Cícero, a “cirurgia” no discurso de Cartaxo e o peso da “rejeição” do governo nas costas de Estela. Eles podem vencer suas limitações na campanha, crescendo com elas, ou capotar diante de seus defeitos.
 
Quem pode advinhar o que se passará na cabeça do eleitor ou na superação dos candidatos?
 
Especialmente num cenário atípico como este, onde não há apenas duas forças em debate, mas quatro.
 
 
Cada estudioso faz uma análise baseada em fatos e conceitos mais próximos da realidade e do que é concreto. Mas o eleitor e, especialmente, o desenrolar da campanha parecem ter tempos e ritmos diferenciados.
 
Elas estão sempre a trair os convictos. Assim, numa campanha que ainda está dando os primeiros passos, nada mais arriscado que prever vitoriosos e decretar derrotados. Especialmente quando não há apenas um, mas vários favoritos.
 
 
Por enquanto, não me arrisco. Eu respeito os indecisos. E temo o inacabado. Você não?
 
Luís Tôrres

Nenhum comentário:

Postar um comentário