A enfermeira Márcia Calixto Carnetti, de 39 anos, encontrada morta junto com o filho de 5 em casa, na Zona Sul de Porto Alegre, havia relatado ao pai que sofria ameaças do marido, um bioquímico de 46 anos apontado pela polícia como o principal suspeito do assassinato. João de Carvalho Calixto, de 70 anos, garantiu que a filha não cometeu a suposta traição conjugal que teria motivado o crime. Os corpos foram sepultados no final da manhã.
“Ela falou para mim que o marido a estava ameaçando. Ele a seguia, por diversas vezes na sua vida privada e profissional, desconfiado e ciumento. Ela me disse ‘pai, não estou fazendo nada com relação a traição’. Tínhamos uma relação aberta”, declarou Calixto.
O pai e avô das vítimas diz que se preocupava com as atitudes do genro. Calixto chegou a pedir que ele procurasse acompanhamento psicológico. “Eu pedi para ele fazer tratamento, mas não partiu nada dele. Ele gravava coisas pelo computador. Minha filha não o traiu. Ela me dizia ‘se eu tivesse de trair, o trairia’”, declarou.
Segundo Calixto, as ameaças não assustaram a filha, que permaneceu casada para preservar a família. “Ela não demonstrou medo. Apesar de conviver com ele por 16 anos, ela estava muito ingênua em relação a esta violência. No fundo, queria manter a família. Mas ele ameaçou e consumou”, afirmou.
Questionado sobre o sentimento da perda de um ente querido, Calixto chora ao lembrar o neto de 5 anos. “Perder o neto é como perder um pedaço da gente. Isso não se faz”, diz.

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