

Unidade é coisa valiosa em disputas políticas. Isso ninguém vai negar. Mas num cenário de inevitável racha há ainda como se tirar proveito das chamadas prévias partidárias, onde dois pretensos candidatos se confrontam internamente como se fosse um “esquente” para a eleição oficial.
Do resultado, o vencedor já sai da pré-campanha com uma vitória e entra na disputa com a auto estima elevada. Isso empolga o frígido, desperta a militância preguiçosa, confere paixão ao processo pré-eleitoral.
Algo que andava meio ausente nesta pré-campanha pró Estela.
Foi o que se viu ontem no Hotel Ouro Branco, na plenária em nome da ex-secretária de Planejamento de João Pessoa. O governador Ricardo Coutinho discursou como há muito não fazia. Conclamou a militância, entusiasmou os hesitantes, deu esperança aos indecisos.
Quis transparecer, inclusive, que é o prefeito Agra que estará transformando sua candidatura numa imposição para os militantes da prefeitura, chamados por Ricardo de "guerreiros que estão sofrendo, mas que não se curvam".
Ou seja, sem querer querendo, o confronto com Luciano Agra acabou reacendendo um “ricardismo” que estava um pouco adormecido. E que, especificamente, só poderá desaguar em favor de Estela.
Pra dar resposta a quem “ousou” peitar Ricardo, a militância ricardista, aquela que fez tremer o exército oficial do governo Maranhão III, vai canalizar todas as energias para a candidatura da socialista.
Caso saia vencedora das prévias do PSB, Estela terá uma vitória na pré-campanha que até agora não havia conseguido. Sairá fortalecida do processo, porque vencer as prévias é o mesmo que passar na primeira fase de um concurso público: dá ânimo para o embate final e real.
Claro que a mesma fórmula serve para o prefeito Luciano Agra. O que faz das prévias do PSB algo bom para os dois contendores.
Sem gerar notícia, a oposição e seus candidatos assistem de camarote os holofotes se voltarem para a disputa interna do PSB. Torcem para que saia sangue, mas sabem que o vencedor, seja ele qual for, entrará mais forte na disputa externa.
O grande ingrediente é saber se, depois do resultado proclamado, o derrotado se juntará ao vencedor. A lógica diz que não dado o tamanho do fosso que se criou entre os dois grupos.
Principalmente porque, certamente, o processo não se desenrolará sem acusações de fraudes, interferências externas e, quiçá, ações na Justiça, fazendo com que o perdedor não reconheça a vitória do vencedor.
Não importa. Quem vencer no dia 10 sairá pra campanha com uma militância aguerrida e esquentada para o debate com os reais adversários desse grupo, mesmo que a utopia da unidade se dissipe por completo.
Às vezes, é preciso brigar em casa pra poder saber se defender na rua.
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