Nem imaginava que nesse domingo(24) iria me deparar com o inusitado fato.
O povo da Feira de Oitizeiro em João Pessoa(PB) ou fora dela, aqui e alhures, sendo alhures um lugar que fica no fim do mundo e que muitos visitam não por esse fato, mas pelo fato de chamar-se alhures, gosta mesmo de novidade. E querem maior novidade que a prisão em flagrante de um pastor com um veado?
Essa foi a notícia!
Eis que de repente ou mais que de repente, como diria o poeta se lá estivesse, todo imundo estava sabendo e horrorizado com a notícia. O povo da feira, assim como os de alhures que vocês sabem onde fica, mesmo não sabendo o que danado vem a ser isso, também tem lá as suas idiossincrasias. Tem lá o quê?! Mentira! Muitos juraram de pés juntos que “nunca pegaram tal doença”!
Um dos passantes ao saber da prisão do veado com o pastor foi logo dizendo que era a “péssima influência da televisão”! No que dava essa coisa de “bigbrote”! Tudo que não presta vem da televisão, radicalizou.
Outro, fumando um cigarro de palha que fedia e cheirava mal como a mala de couro forrada do baiano no dia em que ele foi embora, ratificando sua descrença nos homens que abrem igrejas e sem procurações falam em nome do Pai e do Filho e do Espirito Santo, disse que era por isso que não mandava os seus filhos para igreja. Nem para televisão.
A mulher do coentro que de cócoras e puxava o vestido velho cheirando a feira livre para cobrir as coxas ainda viçosas, ao saber da notícia reclamou da falta de vergonha para em seguida dizer “ah, merecia era um pau exemplar!”. Não entendi se o “pau exemplar” era para o pastor ou o veado. Em pouco tempo até os que diziam não ter qualquer preconceito, “pois tudo dependia do gosto de cada um”, com notícia circulando de banca em banca e boca em boca, curiosos, nada mais comum por aqui e alhures, queriam detalhes da prisão.
E aí, como foi o flagrante? Onde foi que eles estavam?! Como estavam?! Tinha mais gente?! Eram conhecidos?! Quem estava por baixo?! E por cima?! Os nomes, gritou mais forte o homem das laranjas, temos que saber os seus nomes! E se forem ricos, perguntou o baixinho vendedor de inhame com “três real e cinquenta centavo”, inimigo do Eu Plural (humbertodealmeida.com. br), escrito plaquinha de tábua enfiada num tubérculo amiláceo, para responder em seguida: “Ah, duvido que saiam na imprensa! Não viram o caso dos advogados do DPVAT?! Quando os seus nomes foram divulgados quase ninguém os conheciam e o assunto, como eles desejavam, não era mais novidade!” Desconfiei desse. Esse não era, estava, continuei desconfiado, apenas “vendedor de inhame”. Era um Cabo Arnaldo entre os feirantes.
Mas, finalmente, não mais suportando a curiosidade, eis que chega a mulher do coentro das coxas de fora que foi ver “a coisa” ao vivo e em cores. “Ora, não e nada disso que vocês – ela não disse “nós” - estão pensando! Foi a prisão simples de um veado e um pastor que estavam atrapalhando o tráfego e o trânsito! Mas, agora, ouvindo a notícia em pedaços, foi a vez da mulher do amendoim que por sua vez nada entendeu: “Como?! Com tanto motel por aí, a Mata do Buraquinho logo ali e escolheram o meio da rua?! É o fim do mundo!”. Todos concordaram com ela

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