Quando o governador Ricardo Coutinho disse em seu discurso no Teatro Santa Roza, durante anúncio de obras para a Capital, que o “Estado estava se reencontrando com João Pessoa”, o blog registrou que a frase havia incomodado alguns “cassistas”, inclusive, os que estavam na platéia.Dias depois, no Conexão Arapuan, o governador recorreu à semântica para explicar que não foi omisso quanto ao governo Cássio, seu aliado de maior peso político. “Reencontrar significa encontrar de novo”, disse o governador, encerrando o assunto, em grande estilo.
A propaganda oficial, no entanto, enganou-o, ao reforçar, mesmo que de leve, a velha tese de que “os governos” não fizeram isso ou aquilo, misturando, como proíbe o ditado, alhos com bugalhos. Tanto que, agora, não foram os “cassistas”, mas o próprio senador Cássio a reclamar.
Não é a primeira vez que Cássio faz isso. Reclamou quando ficou do lado de fora numa audiência como o ministro da Integração Nacional, enquanto muitos queriam que ele brigasse pela UEPB, Sindfisco e São João de Campina.
Agora, é diferente. Não se trata de “desprestígio” pesssoal, mas de uma mensagem oficial que desprestigiaria todo um governo, que é como um filho no exterior para um ex-governante.
Registre-se que o governador Ricardo Coutinho, em entrevistas sobre o Centro de Convenções, já fez referência quanto à importância de Cássio e até de José Maranhão para a evolução da obra. E que, ao povo, não interessa quem fez a obra, mas se ela existe.
Mesmo assim, se a “obra não tem pai”, também não pode ter padastro.
Cássio tem, na maioria das vezes, renegado suas próprias ações para não criticar mudanças feitas no atual governo, como por exemplo o expediente único, a revogação do subsídio do Fisco, o repasse do duodécimo, da UEPB e tantos outros atos da atual gestão.
Toda vez que é provocado sobre o assunto, limpa a barra: “Os tempos eram outros. Eu estava certo na época. E Ricardo está certo agora”.
Esse é o mesmo cuidado que a atual gestão deve ter em relação ao governo do tucano. São aquelas pecularidades normais da política. Uma espécie de Etiqueta na Política, que impede o líder, por exemplo, de ir a uma cidade de um aliado político e cumprimentar o adversário dele em praça pública, mesmo que seja um amigo de longas datas.
São melindres? São. Mas nada mais imperioso nas alianças como a velha regra básica de convivência política. Algo como “respeite o meu que eu respeito o seu”.
Luís Tôrres
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